A decisão de iniciar no trekking costuma nascer de um convite, de uma foto inspiradora ou da vontade simples de sair da rotina. O que muitos descobrem depois é que, embora pareça apenas uma caminhada em meio à natureza, a atividade exige preparo. Não é algo inacessível, longe disso na verdade, mas o corpo precisa ser preparado para responder bem aos desafios do percurso.
Subidas longas, descidas técnicas, terreno irregular e a mochila nas costas formam um conjunto que cobra resistência e equilíbrio. Quando não há preparação prévia, o entusiasmo pode dar lugar ao cansaço excessivo ou às dores que surgem já nos primeiros quilômetros.
Antes da trilha, começa o treino
Não é necessário transformar a rotina em algo intenso ou complicado. O segredo está na constância. Caminhadas regulares são o ponto de partida mais lógico. Reservar alguns dias da semana para caminhar em ritmo moderado já começa a adaptar o corpo ao esforço contínuo.
Se houver possibilidade, incluir ladeiras faz toda a diferença. Subir ativa musculaturas importantes das pernas e melhora a capacidade cardiovascular. Aos poucos, o praticante percebe que o fôlego aumenta e o desconforto diminui.
Pernas fortes sustentam o percurso
O trekking exige bastante de quadríceps, posteriores de coxa, glúteos e panturrilhas. Ignorar o fortalecimento é um erro comum entre iniciantes.
Exercícios simples, como agachamentos e passadas, podem ser realizados em casa, sem necessidade de equipamentos. A prancha abdominal também merece atenção, pois o core estabiliza o tronco e reduz a sobrecarga na lombar, especialmente quando há peso extra na mochila.
A recomendação não é buscar exaustão, mas sim adaptação progressiva. O corpo responde melhor quando é desafiado com regularidade e equilíbrio.
Simular a realidade evita surpresas
Outro ponto que faz diferença é treinar com mochila. Muitos iniciantes só percebem o impacto do peso adicional no dia da trilha. A postura muda, o centro de gravidade se altera e o esforço aumenta.
Incluir caminhadas curtas com uma mochila leve ajuda o corpo a entender essa nova dinâmica. O peso pode ser aumentado gradualmente, sempre respeitando os limites individuais.
Equilíbrio: o detalhe que poucos lembram
Em trilhas, raramente se caminha sobre terreno estável. Pedras soltas, raízes e desníveis exigem atenção constante. Exercícios simples de equilíbrio, como manter-se em um pé só por alguns segundos ou realizar movimentos laterais controlados, fortalecem tornozelos e joelhos, reduzindo o risco de torções.
Esse tipo de preparo costuma ser negligenciado, mas faz diferença real na segurança durante o percurso.
O ritmo certo é mais importante que a velocidade
Para quem está começando, é comum a ansiedade de acompanhar pessoas mais experientes. No entanto, trekking não é prova de desempenho. Cada corpo responde de uma forma, e respeitar o próprio ritmo é parte do aprendizado.
Treinar antes da primeira experiência ajuda justamente nisso: dá segurança para manter um passo constante, administrar pausas e aproveitar o caminho sem transformar a atividade em sofrimento.
Preparação é parte da aventura
O preparo físico não diminui o espírito aventureiro. Ao contrário, amplia as possibilidades. Quando o corpo está pronto, a atenção pode se voltar ao que realmente importa: a paisagem, o silêncio da natureza, a sensação de superação.
Começar no trekking com responsabilidade não significa perder a espontaneidade. Significa apenas dar ao próprio corpo as condições necessárias para que a experiência seja prazerosa do início ao fim.
E se quiser se aprofundar ainda mais, não deixe de conferir o nosso post “Trilhas no calor extremo: roupas e mochilas que fazem a diferença”. Tem várias dicas pra quem quer se preparar melhor e evitar perrengues na hora de encarar uma aventura no verão!
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